Lenda da Senhora da Lapinha

Lenda da Senhora da Lapinha
Há muitos anos atrás, lá para as bandas do Botelho, um lugar da freguesia do Livramento, vivia muito mal com o marido uma pobre mulher. Sofria muitos maus tratos de toda a sorte e, já não podendo sofrê-lo, fugiu de casa, levando consigo a roca e o sarilho com que fiava e mais dois ou três utensílios de que muito precisava. Refugiou-se numas matas e, mesmo que fosse procurada, ninguém mais pôde descobrir a infeliz.
Aí, sozinha foi cozendo o seu pão, fiando, a sua lã e alimentando-se de animais que caçava e de caldos de verduras. Longe do marido tirano, passou a fazer vida santa. Anos depois, um caçador, que andava à procura de coelhos, meteu-se pela mata e encontrou-a já morta e reduzida a esqueleto, numa furna. Junto dela via-se um pequeno forno com a sua pequena chaminé, uma pá, uma roca e um fuso e foram esses objectos que fizeram com que se identificasse o cadáver.
Almas caridosas deram sepultura aos seus ossos e, na lapinha onde a tinham encontrado, colocaram uma imagem da Virgem Santíssima, que logo começou a atrair muitas pessoas.
Anos mais tarde, lá pela segunda metade do século dezanove, o rico proprietário das matas mudou a imagem para a ermida da casa solarenga que ficava perto. Porém, no dia seguinte, a imagem de Nossa Senhora apareceu de novo na lapinha e ninguém mais ousou tirá-la de lá.
Os romeiros começaram a aumentar e, durante muitos anos, até aos princípios do século vinte, num dos domingos de Setembro, se ajuntava muito pessoal ao fundo de uma mata que pertenceu mais tarde ao senhor conde da Fonte Bela. Depois de prestarem homenagem à lapinha, os romeiros percorriam o belo jardim com cantigas ao desafio e danças e assim, mais uma vez, a festa religiosa se aliava em perfeita harmonia com a festa profana, junto da Senhora da Lapinha.






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