A Rocha do Lombo Gordo ou Ponta da Árvore Formosa

A Rocha do Lombo Gordo ou Ponta da Árvore Formosa
Há muitos anos atrás, lá pelo século quinze saía do reino uma nau, devidamente equipada em busca de novas terras o comandante era um homem prudente e sabedor do seu ofício, mas fazia-se acompanhar por marinheiros ambiciosos, dos quais se destacava, na sede de riqueza, o seu filho mais velho. Alimentando a imaginação em histórias que lhe haviam sido contadas acerca de ilhas ricas em tesouros fantásticos, o desempenado e forte jovem prestava pouca atenção aos conselhos sensatos do pai. Afirmava que havia de voltar rico, mesmo que para tal tivesse de vender a alma ao diabo.
Navegaram longos dias e sofreram algumas tempestades. Depois de se debaterem com uma terrível maresia, desviaram-se da rota traçada e, ao amanhecer, a nuvem escura que se acumulava à proa da embarcação começou a desfazer-se, surgindo em seu lugar um alto monte revestido de densa vegetação.
Gerou-se á bordo alguma confusão, até que se chegou a acordo de que um pequeno escaler seria lançado ao mar para ir fazer as primeiras explorações.
A bordo iam alguns marinheiros e o filho do capitão que caminhavam em direcção a terra, embriagados pela esperança de encontrarem a riqueza tão sonhada. O primeiro a entrar na ilha foi o ambicioso filho do capitão que logo começou a brandir a espada e a gritar, como se estivesse endemoniado, que aquela terra era sua. Os restantes marinheiros estranharam tal atitude e dispuseram-se a explorar o interior da ilha, tal como o capitão tinha decidido. Mas o jovem, como possesso ameaçou-os de morte se se atrevessem a explorar a ilha. Quando se retiravam para bordo do escaler, ouviram uma voz misteriosa que vinha do alto do monte e dizia:
— Quem me tocar será imensamente rico!
Não podiam acreditar no que os seus olhos viam. A voz vinha de uma riquíssima árvore que tinha flores e frutos em ouro maciço e resplandecia lá no cimo do monte.
Desorientado, o moço começou a trepar a difícil penedia segurando-se nas urzes rasteiras que abundavam. Os olhos esbugalhados de medo dos outros marinheiros seguiam-no. Estava quase a atingir a árvore cobiçada quando, de repente, numa escarpada mais difícil, não conseguiu equilibrar-se, despenhando-se no abismo.
Os outros marinheiros correram para socorrer o rapaz, mas o seu corpo tinha desaparecido num grande buraco de onde saíam fumarolas e cheiro de enxofre.
Voltaram para a caravela e só depois de recuperarem a calma é que conseguiram explorar o interior da ilha. A esse lugar, onde se deu este estranho acontecimento e hoje também chamado de Ponta do Lombo Gordo, passaram a chamar Ponta da Árvore Formosa.






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