A conquista de Santarém (3/3): Ataque

A conquista de Santarém (3/3): Ataque
Próximo da vila meteram-se por um vale, tão perto dos muros, que podiam escutar os vigias Mouros, quando uns despertavam outros. Aqui permaneceram algum tempo, com os cavalos seguros pela rédea, aguardando o melhor momento para o ataque. Deixando os pagens com os cavalos no vale, partiu o Rei com os seus guerreiros pela fonte de Atamarma. Na dianteira seguia Mendo Moniz, que melhor conhecia o terreno, e logo depois el-rei com o resto da gente. Chegando à parte da muralha menos vigiada, por onde pretendiam escalar, ouviram falar dois mouros na mudança de turno acordando os vigias anteriores. Assim, tiveram de adiar o ataque, esconderam-se nos campos de trigo aguardando que os vigias adormecessem novamente.

Passado pouco tempo, D. Mendo com os seus colocaram a primeira escada. Tiveram, contudo, novo precalço, deta vez mais perigoso, quando não podendo segurar a escada, que estava apoiada apenas por uma ponta de uma lança, viram-na resvalar pelo muro até cair com grande estrondo no telhado de uma olaria. D. Mendo ficou aflito mas, percebendo que os Mouros não reagiam, apressou-se a colocar um mancebo de grande altura sobre os seus ombros, para que segurasse a escada nas ameias da muralha, o que permitiu a primeira subida e o fixar da bandeira real. Mas, ainda não tinha subido o terceiro homem, quando um vigia acordou e perguntou quem eles eram. D. Mendo respondeu então, em arábico, que era a ronda e aproximou-se até lhe cortar a cabeça, que lançou muro abaixo para animar os outros.

Outro vigia, porém começou a gritar: "Cristãos, Cristãos, traição!" o que alertou os outros Mouros da ronda que logo surgiram envolvendo-se com dez dos nossos que já estavam em cima do muro, num confronto de espadas. O barulho dos golpes e a confusão das vozes era tal que nada se conseguia perceber, enquanto el rei do fundo gritava:" Animo, meus soldados, aqui está el rei D. Afonso: acabai com todos esses infieis"

Para facilitar a entrada e auxiliar os seus guerreiros que já combatiam, o rei dividiu a sua gente em dois grupos. No primeiro, ordenou a Gonçalo Gonçalves para ir pela esquerda, de forma a que ocupassem rapidamente o caminho do Serecigo e impedissem os inimigos de se apoderarem primeiro da porta de Atamarma, o que bloquearia a entrada dos nossos e deixaria isolados os que tinham escalado os muros. O outro grupo, comandado pelo Rei, apressou-se pela direita a controlar Alfam.

Ambos obtiveram exito com mais facilidade do que seria de esperar, e os nossos que levavam escadas para subir aos muros acabaram por entrar sem dificuldade pelas portas, pelo que só foram utilizadas duas das dez escadas.O esforçado Mendo Moniz e seus companheiros, num total de apenas 25, que haviam usado as duas escadas para subir aos muros conseguiam suster os Mouros e encaminharam-se para a praça, onde enquanto uns combatiam outros tentavam quebrar as fechaduras e ferrolhos das portas, o que acabaram por conseguir com um Machado lançado por um dos nossos do lado de fora dos muros, permitindo desta forma a entrada de el-rei e dos que o acompanhavam.

Os Mouros acorreram a todas as portas lutando e defendendo-se com todas as forças que tinham, colocando por vezes em duvida a nossa vitória. Os nossos também tiveram de usar de todas as suas forças e de todo o seu valor, para vencer a oposição dos Mouros, mas eram Portugueses os que ali estavam e com eles estava D. Afonso Henriques. Finalmente, os Mouros que restavam refugiaram-se no Alfam mas foram logo encontrados e tiveram de se render ...

Nesta altura, entre os Mouros existia apenas confusão e espanto em toda a parte, vendo os seus inimigos ocuparem a vila já vencedores: as trevas da noite, os lamentos e prantos das mulheres, os gritos dos fugitivos, o horror da morte, tudo aumentava a perturbação e a desordem. A resistencia tinha cessado, todos os que escaparam à morte estavam presos, e os despojos da vila foram abundantes.

O Alcaide consegui escapar-se e, juntamente com outros três cavaleiros, seguiu para Sevilha lamentando-se da perda da sua gente e do lugar.

Assim foi conquistada Santarém no ano de 1147 num sábado de madrugada, sendo esta expedição um dos mais assinalados feitos militares até então, pois com apenas 250 soldados, el rei D. Afonso Henriques conquistou um lugar fortissimo por natureza e arte e defendida por um exercito numeroso e experiente na guerra."






Aqui perto....

Convento de Almoster 
Capela da Santíssima Trindade  
Agencia do Banco de Portugal e Teatro Rosa Damasce 
Centro de Santarém 
Santa Iria Ribeira Santarém 
ribeira de Almoster Casal da Charneca 
Brasão e Bandeira