Alguma história sobre Folgosinho

Alguma história sobre Folgosinho
FOLGOSINHO é uma freguesia do concelho e comarca de Gouveia (-12 Km, a ENE), distrito e diocese da Guarda (-23 Km, a OSO), situada 900 m de altitude, num esporão rochoso, nas abas NE da Serra da Estrela, na margem direita da Ribeira do Freixo (alimentada também pelos Ribeiros Lobisomem e Mondegão), sensivelmente a meio, na linha de cristas que desce da Ermida de S. Tiago (1489 m) a Freixo da Serra (653 m).
A partir da EN 17 (Estrada da Beira), acede-se pela ligação a Gouveia ou, em sentido inverso, a partir da Carrapichana, havendo ainda as ligações intermédias por S. Paio, por Nabais e por Melo. Tem como localidades mais vizinhas Freixo da Serra, Nabais e Melo.
Em termos comarcãos a área de Folgosinho, em 1755, estava adstrita à comarca da Guarda. A municipalidade foi extinta em 1836. Em 1852 passou a pertencer à comarca de Gouveia; em 1862, transitou para a de Celorico; em 1878, regressou à de Gouveia e no Julgado de Melo. Também foi sede de um Julgado de Paz.
Orago S. Pedro. Na Idade Média inscrevia-se como uma vigararia e comenda da Ordem de Cristo, que andava na Casa dos Viscondes de Vila Nova da Cerveira. Foram donatários os Marqueses de Arronches e depois os Duques de Lafões (Villa Balneum > S. Pedro do Sul). A Igreja Matriz, possivelmente dos forais do séc. XVIII, já foi reformada posteriormente. E a antiquíssima Capela de São Faustino.
Em Folgosinho ocorrem as festas de Santo António, a 13 de Junho; as do Senhor do Socorro, em Agosto; as de Santa Eufêmia, a 16 de Setembro; as de Nª Sª de Fátima, a 12 de Outubro e as Romarias de Nª Sª do Couto (anual), na Quinta-feira da Ascensão e a da Senhora da Acedasse (também anual), em Setembro. Há ainda a festa de Nª Sª dos Remédios, no l° Domingo de Setembro, no lugar do Barrocal.
Na diminuta mas bela ermida da Senhora d’Acedasse (925 m), numa área de ancestral e eficiente esculca [também extensiva à Várzea de Vide (Vide > vigia, observação) e ao Covão de Santa Maria], a dois passos do rio (alto Mondego), é festejada desde tempos imemoriais, com muita veneração, a Padroeira dos Casais da Serra (“lato sensu”). Com efeito, Folgosinho com as suas altaneiras ou mais encaixadas Quintas e Casais, poder-se-ia considerar um ponto axial sobre o qual gira o Rio mais português em seu redor, com a sua curvatura serrana mais acentuada e característica que antes de continuar o seu caminho para Coimbra e para banhos de Mar, quis passar pela área Guarda (da fronteira).
Neste vérgil oásis da ecúmena mais alta de Portugal, longe do lufa-lufa mundano, num ambiente de excepcional quietude e recolhimento ou de rija têmpera e de virilidade na labuta diária, aqui se insere em toda a expressão a força da natureza e se pode contemplar a incomparável cristalinidade das águas correntes. Nestes alcandores e alcantilados, as gentes destes Casais (esparsos) conservam a arte milenar da produção artesanal e genuína por excelência, do queijo da serra (especialmente no Casal do Mondego, Casal de S. Pedro, Casal da Feiteira...); a laboração do pão centeio e cozedura em fornos de granito; e paisagens de extasiar, nestoutro lado da Serra fendida pelo Vale do Mondego superior.
Há uma Lenda que gira em torno da construção da Capela de Nª Sª de Acedasse, a -8 Km da villa, no sentido de quem se dirige da Portela de Folgosinho para as bifurcações do Covão de Santa Maria, do Covão da Ponte (ambos mais a montante) ou, mais directamente, descer pela Lomba da Rachada para a Quinta do Mondego de Baixo. A construção tem associada a legendária tradição que procura tecer os acontecimentos correlacionados com os desígnios divinos: um dia, o povo de Folgosinho decidiu-se edificar uma Capela a Nossa Senhora, para lá da Portela, a meio da encosta, no lugar do Mirante, onde hoje existe o Cruzeiro (1058 m) de referência, com uma vasta panorâmica sobre o Mondego e, além, a Serra de Bois (território da freguesia).
Marcou-se o dia para o início das obras e, pontual, o pessoal lá apareceu munido das ferramentas essenciais, subindo a calçada até à Portela, e daqui rumando ao local preconizado.
Em carros de bois e corsos (zorra de tronco de árvore em V para arrasto de pedras), transportaram para ali toda a pedra considerada suficiente, arrancada ou cortada nas pedreiras mais próximas e, bem assim, outros materiais necessários à consecução do intento. Mas quando finalmente lá chegaram, uma surpresa e desencanto os aguardava. A decepção foi geral, porquanto do material ali reunido nem sombra! Pesquisam-no pelos arredores, prestando atenção a quaisquer vestígios de transporte para outro lado (zonas de vegetação densa, barrocas...) mas nada. Inopinadamente, eis que, lá mesmo junto ao Mondego, numa irradiação de caminhos, junto à várzea ribeirinha e viridente onde abundavam várias espécies de árvores centenares e arbustos, coito de cerdos do monte, javalis e outras bicharada, lá estava, nas proximidades da Ponte, todo o material. Muito se estranhou a forma como teria sido transposto, mas de novo o carregaram, para o local planeado do anterior. No fim do dia, já exaustos, regressaram a casa questionando o caso e não se falando de outra coisa. No dia seguinte, lá foram novamente para iniciar os trabalhos no local e nova surpresa os esperava: o material, outra vez, nem rasto. Dirigem-se ao local do achado e em uníssono, exclamam, algo supreendidos: “Milagre, Milagre! É Nossa Senhora a querer a Capela aqui junto à passagem do Rio, para controle da Ponte, antes do cruzamento de caminhos que divergiam ao longo do rio e dos córregos! É ali, neste local de melhor e mais efectiva vigilância da travessia do Rio a quaisquer intrusos, que a Ermida vai ser erguida. As obras começam e não tardou que a Capela ficasse concluída. Junto à várzea nasce, pois, a actual Ermida da Sª de Acedasse e a sua centenária devoção.
Posteriormente, Folgosinho atravessara uma estiagem prolongada e não havia perspectivas de dias melhores. Os campos definhavam ressequidos com a estiagem. Os homens sentiam-se impotentes perante a situação. O pânico, a canícula e a dificuldade de sobrevivência alastravam mais e mais deprimentes a cada dia. Só a intervenção divina lhes podia valer. Foi então que todos unidos na mesma Fé e pensamento, resolveram solenizar uma romaria à Senhora de Acedasse, para Lhe implorar a Sua intervenção, e ali foi tomado o compromisso de irem lá todos os anos, em procissão, para agradecer à Virgem Maria e ao Seu Divino Filho, a graça da chuva. E quando não pudessem ir todos os constituintes da mesma família, iria, pelo menos, um elemento de cada casa. Todos concordaram e assumiram. No dia aprazado, o povo de Folgosinho reunia-se na Igreja Matriz, onde, após uma solene Eucaristia, era iniciada a procissão, a cantar e a rezar durante a longa estirada até Acedasse (a grafia etimologicamente presumida mais correcta).
No regresso o Firmamento começou a toldar-se de nuvens cinzentas. A meio do caminho, surpreendidos, começam a cair as primeiras pingas de água e em breve uma bátega de chuva benéfica e fertilizante. O acontecimento selava como que uma espécie de pacto. O Povo de Folgosinho e a romaria à Senhora de Acedasse perpetuar-se-ia todos os anos: na segunda-feira de Páscoa, para o que se suspendiam todas as actividades campestres e todos caminhavam devotamente. Ao chegarem à Capela, conforme se enraizara costumeiro, davam-se três voltas em redor da Capela e só depois se entrava no pequeno Templo, para a saudação da Virgem Santíssima com hinos, cânticos e preces e depondo a Seus pés a oblação de cada um, cumprindo-se o voto (e, sempre da muita devoção popular, entoava-se a oração de S. Bernardo “Ó piíssima Virgem Maria...”).
É de realçar a importância que a comunidade judaica, desempenhara, existindo ainda algumas casas com as características muito próprias das suas habitações e ainda os vestígios duma antiga Sinagoga.
Na região e na localidade, são muito interessantes os pontos visitáveis (Igreja Matriz; Capela de S. Domingos; de S. Faustino, Outeiro; Curral do Negro; S. Marçal; Tanque dos Ferreiros; S. Tiago; Santinha, Sª de Acedasse; as muralhas do Castro, a Calçada Romana - conhecida por “Calçada dos Galhardos (Galearius), o pelourinho, o cruzeiro e as “alminhas” e as inscrições em painéis de azulejos em fontanários espalhados pela villa (uns onze), de onde brota água fresca e cristalina. Algumas possuem até quadras ou um versejo simples, de raiz popular, que fazem desprender, a quem os observa e lê, um leve sorriso ou um riso mais franco e apelativo. Além deste repositório nas Fontes, as quadras marcam presença um pouco por toda a localidade, nas vielas ou aplicadas numa ou outra parede ou na frontaria de habitações - “Cantam-nos as fontes, (en)cantam as gentes, decantam-se os montes, ouvem-se as avenas flentes”(A).
E agora anote uma recolha, “in loco “:
Ó vila de Folgosinho / Sete coisas te dão graça ! O mirante do Castelo / E o monumento na Praça, Capelinha em S. Tiago / Por cima de Folgosinho, O mirante do Outeiro / Mais abaixo o Pelourinho. A Fonte da Rapariga / E a Fonte do Pedrão / Os que cá te vêm ver/ Levam-te no coração. Tens a Fonte dos Guerreiros / Viriato na Esplanada; / Quem nunca viu tuas vistas, Em Portugal não viu nada!
Recorde que esta antiga municipalidade tem, pois, onde assentar um riquíssimo folclore, circunstância que não passa despercebida pela criação do seu bem representativo Rancho Folclórico Cancioneiro de Folgosinho, sob a direcção e apoio do Rev. Pe. Morais.
Do Cadastro da População do Reino (1527)”no conc. de Folgosinho e seu termo há moradores 85 assaber no próprio lugar vivem 74 e no lugar de Freixo termo dele 10 e no Casal) 1 que faz a dita soma) E o termo do dito conc. é de légua e meia em comprido e casy huma légua em Largo parte e confina o termo do dito concelho com a villa de Convilham pera a Serra da Estrela e com a villa de Linhares pera onde nasce o Sol e com a Villa de Melo pera o meio dia e com Gouveia “.
De Folgosinho, logo à saída ou mais junto, da Portela, há sempre que saber escolher: a Calçada da Serra Baixa”, por S. Domingos (1267 m), a bifurcar à esquerda, ou, mais alta uns -200m, a Calçada dos Galhardos, pela bifurcação, à direita (1,5 Km). Na Portela, ter-se-ão de escolher as vias, ou pelo Covão da Ponte, em direcção a Manteigas, para a Santinha (ponto trigonométrico a 1594 m de altitude), local de descolagem do Parapente; ou pela do Cruzeiro para Nª Sª de Acedasse.
A sua população activa divide-se pela pastorícia, agricultura e alguma pequena indústria. No seu território assinalam-se casais isolados que se dispersam até à linha altimétrica dos 1300 m de altitude e que, ao longo dos tempos, vêm constituído o habitat continuado e mais elevado na área da Serra da Estrela.
Folgosinho possui as melhores valências da natureza que a Serra da Estrela lhe prodigaliza, às quais associa um dos melhores pontos de descolagem do Parapente. O subsolo esconde e tem também em exploração minérios de Sn e W. Produz vinho e a sua pecuária é indubitavelmente uma das suas mais valias. Na Ribeira do Freixo, os muitos moinhos (ou azenhas), nos sírios dos Moinhos da Fraga, mais a montante, ou no sítio dos Moinhos da Fórnea, mais a jusante.
Se desejar uma recordação mais perene e material da sua visita, podê-la-á materializar com uma bela peça de artesanato, não se esquecendo de passar por alguns desses locais e o especial Cá da Terra Artesanato e Produtos Regionais, a todo o tempo, ou quando ocorre também o Mercado mensal, no segundo Domingo.
A localidade dispõe de um posto médico, mercearia e alguns bons locais de restauração, sempre da sua escolha ou preferência e tomar um bom café, vg, n’ “O Táxi” ou, no Adro de Viriato, o Restaurante Albertino...) .
Há uma Corporação de Bombeiros Voluntários a englobar também o seu Grupo Desportivo dos Bombeiros Voluntário de Folgosinho, mas com um Campo de Futebol, nos “antípodas” dos recentes estádios, que ainda não passa de “terra batida”, pelo esquecimento da melhoria e de mais algumas benesses que inscrevam a localidade nos benefícios essenciais de uma mais próxima equidade na concidadania.

Por: António Carreira Coelho




por Rolando Santos





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